SiMuLaDoR
  

 

- Olha o jornal. "Um bandido de treze anos acaba de assassinar um garotinho de nove". É horrível!

O amigo faz um gesto displicente.

- Crime sem interesse... A menos que não se dê um caso de genialidade, um homem só pode cometer um belo crime, um assassinato digno, depois dos dezesseis anos. Uma criança está sempre sujeita aos desatinos da idade. Ora, o assassinato só se torna admirável quando o assassino fica impune e realiza integralmente a sua obra. Desde Caim, nós temos na pele o gosto apavorador do assassinato. Não estejas a olhar para mim assim assustado. As mais frágeis criaturas procuram nos jornais a notícia das cenas de sangue. Não há homem que, durante um segundo ao menos, não pense em matar sem ser preso. E o assassínio é de tal forma a inutilidade necessária ao prazer imaginativo da humanidade, que ninguém se abala para ver um homem morto de morte natural, mas toda gente corre ao necrotério ou ao local do crime para admirar a cabeça degolada ou a prova inicial do crime. Dado o grau de civilização atual, civilização que tem em germe todas as decadências, o crime tende a aumentar, como aumentam os orçamentos das grandes potências, e com uma percentagem cada vez maior de impunidade.

"As crianças que matam" - Paulo Barreto - 1909



Escrito por Gruli às 01h21
[] [envie esta mensagem] []


 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]  
 
 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Homem, de 26 a 35 anos

HISTÓRICO



OUTROS SITES
 Prenda-me Se Fôr Capaz
 Otávio Martins
 Mário Bortolotto
 Jú Mesquita
 Ivam Cabral
 Rodolfo Garcia Vasquez
 Fernanda Dumbra
 Cacá Toledo
 Sérgio Roveri
 Paulo de Tharso
 Alessandro "Robocop" Bartel
 Clarah Averbuck
 Patrícia Leonardelli
 Alberto Guzik
 Cléo de Páris
 Lenise Pinheiro e Nelson de Sá
 Laerte Késsimos
 Paulo Ribeiro
 Dani Tesolin
 Revista Bacante
 Chico Ribas
 Jarbas Capusso
 Rui Xavier
 Anna Cecília Junqueira
 Bárbara Oliveira
 Vanessa Morelli
 Débora Aoni
 Fábio Ock
 Érika Riedel