SiMuLaDoR
   Pras coisas inexplicáveis, que nunca o deixarão de ser...

Estava em casa, como sempre estava. Não saía. As compras da semana eram feitas por um jovem vizinho, do 21, que sempre comprava as coisinhas dela junto com sua compra. Cobrava menos, às vezes até deixava passar. Ela não gostava nem de abrir a porta; era rápida quando se abaixava pra pegar o jornal, que o porteiro já deixava na porta, de manhãzinha. Acordava cedo e passava sempre uma única xícara de café, que era pra não sobrar. Ligava o computador velho que comprara de uma amiga que morrera, só pra jogar paciência. Gostava; era muito mais fácil do que ficar embralhando toda vez, se fosse jogar com baralho de verdade. Às vezes cansava... numa dessas vezes, entrou pela primeira vez na internet, curiosa. Passeou um pouquinho pelas notícias, leu fofoca sobre celebridades, espantou-se com a velocidade com que aquilo era atualizado. Entrou em páginas dedicadas somente à terceira idade e achou interessante o que propunham: tinha vôlei, dança de salão, encontros semanais pra exaltar a si mesmos como os de "melhor" idade. Achou graça. Não queria nada daquilo, queria só manter seu apartamento de 40 metros quadrados bem limpo, assistir suas novelas preferidas enquanto fazia tricô (quase não olhava pra TV - só escutava) e jogar paciência... aliás, falava muito pouco; conversava com a mocinha da novela quando ela fazia papel de otária, dava bronca na vilã. Era quando ela ouvia a própria voz... era fraquinha, meio rouca, por falta de uso... um fiapo de voz.

Ia sempre dormir bem cedo, assim que acabava a última novela... menos naquele dia! Era o segundo intervalo quando tocou sua campainha... não podia ser o jovem vizinho do 21! Ele estava de férias havia só dois dias.. Olhou pelo olho mágico, mas a luz do corredor, automática, já havia se apagado. Abriu devagar a porta.

Ele olhou pra ela, com um sorriso imenso no rosto. Há anos tentava descobrir seu endereço. Haviam sido namoradinhos na infância, mas o tempo sempre dá um jeito de separar. Ainda a amava demais e sempre pensou nela. Tinha ficado viúvo há 4 anos, quando resolveu que gostaria de vê-la novamente. Foi atrás da família, dos ex-amigos e nada. Nem sinal de ninguém. Aí, finalmente achara numa lista telefônica antiga de São Paulo uma pessoa de nome idêntico ao dela. Foi até lá, viajou quase 4 horas, do interior. Como o interfone dela não funcionava, o porteiro deixou-o subir... um senhor nessa idade não faria mal a ninguém! E ali estava ele, prestes a dizer algo a ela depois desses anos todos. Havia ensaiado direitinho tudo que iria dizer.

Seu sorriso foi-se modificando aos poucos.

Não era ela. Sabia que não era ela.

Pegou-se parado na porta de uma estranha, que o olhava sem saber o motivo de sua presença ali. Pensou em sair sem falar nada... iria passar por louco, tarado, ela chamaria a polícia. Pensou em explicar o caso... mas acabou optando pelo caminho mais inexplicável possível...

- Não se lembra de mim?

Não entendia porque tinha feito isso. Não queria ser grosso e dizer que estava atrás do grande amor de sua vida e que não era ela! Poderia se sentir rejeitada, sei lá. Aí, falou a primeira frase que tanto havia ensaiado pra dizer à verdadeira.

Ela não o havia reconhecido; afinal, nem o conhecia. Mas sempre fora educada pra não dar esse tipo de vexame: esquecer-se de um amigo querido. Aí, mentiu também...

- Claro que me lembro. O que está fazendo aqui a essa hora? E está tão diferente.

Falou, genérica. Fiapo de voz em desuso.

Como quem não tinha mais saída, continuou ele, de modo mais inexplicável ainda, assim como são todas as coisas.

- Vim pra te ver...

- Ah, que bom! Entra, vou passar um café...

Ele entrou, sem entender seus próprios motivos. Ela perguntou da família dele, sem saber quem eram. Ele elogiou a beleza dela no passado, ao ver um porta retrato antigo em cima da estante, sem nunca ter visto aquele rosto antes. Ela perguntou o que ele estava fazendo agora, sem nem saber o que ele fazia antes. Ele queria saber se ela havia casado, se tinha filhos, sem saber nem o nome dela.

Tudo na melhor intenção: ele não queria dizer que estava ali por engano, ela se culpava por não ter se lembrado dele. E se enganaram assim, por anos e anos. Casaram-se, foram morar no interior, viajaram, dançaram noites após noites em bailes promovidos por sites de terceira idade, fizeram curso de culinária juntos, viram nascer o quinto neto dele, assistiam juntos aos filmes do Telecine Classic. Ela nunca mais jogou paciência, nem viu novela. Tinham um mundo a descobrir; não dava mais tempo.

E morreram quase juntos. Ela numa semana, ele na outra.

Mas nunca falaram sobre aquela noite: pra ela, ele a conhecia. Pra ele, ela não precisava saber que não!



Escrito por Gruli às 03h49
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   De repente...

Seu Alfredo viu Ednei e Ednaldo crescerem. Era porteiro lá da escola da comunidade e cuidava sempre que os meninos chegassem e saíssem em paz do colégio. Ao chegarem, bem cedo, tomavam a benção das mãos duras do velho; que já fazia um afago gostoso de avô e lhes indicava a cozinha, onde a merendeira distribuía os leitinhos de soja, mandados pelo Estado, naqueles saquinhos que se rasgava com os dentes mesmo. Cada dia de uma cor, verde, azul, vermelho, amarelo, que eles nunca sabiam de que gosto era. Na saída, Seu Alfredo cuidava que tomassem direito o caminho de casa, ao invés de ficarem de conversa fiada com gente mais velha que já andava por ali tentando vender todo tipo de coisa pra fumar, cheirar ou injetar. Uma vez por mês, gostava de ir à casa dos meninos, num sábado, pra tomar café com seu Ednan, pai deles, e experimentar mais uma vez o bolinho de chuva da cumadre, que os fazia mesmo que não chovesse. Conferia se Ednei tinha feito a lição pra segunda, menino mais desajuizado; o outro tinha tudo pronto já na sexta, sempre. Ednaldo tinha as melhores notas da classe e sonhava ser porteiro de escola quando crescesse, pra ser igualzinho ao padrinho que tanto amava. E Seu Alfredo dizia a ele que ele seria um ótimo porteiro, mas que deveria sonhar com a medicina, que o levaria tão longe na vida. Já Ednei nem pensava em nada; queria era soltar pipa, jogar bolinha de gude e bolinar as meninas da rua.

Aposentou, finalmente. Pagava a contribuição direitinho: já tinha sido assistente de pedreiro, maquinista de trem de bauxita, porteiro de escola. E nunca deixou de pagar, todo ano, a contribuição mínima. Sonhava com esse dia... levou vinte e dois anos pra construir a casinha na Comunidade do Vento Levou, favela pequena encostada no morro que mais parecia um grande pedregulho. Colocou privada com assento macio, porta de madeira maciça, azulejo com desenho bonito, azul. Tudo pra passar tranquilo seus esperados dias de aposentadoria. Seu Alfredo convidou alguns amigos próximos pro dia 31 de dezembro, que ele chamou de "reveillon da inauguração", pra mostrar os últimos detalhes da casa e ofereceu tubaína, cerveja e frango assado com arroz. Seu Ednan apareceu com a comadre, que trouxe uma travessa de bolinhos de chuva de presente, que ficou pra sobremesa dos presentes. Os meninos não apareceram, nem eram esperados. Ednaldo tinha ido jogar bola com os amigos; não gostava de reveillon e esse era o único tempo de folga entre tantas horas de estudo pro vestibular. Ednei já era o líder do tráfico na comunidade, depois de alguns anos dando duro. E não tinha mais tempo pra essas bobagens...

No meio da festa, começa o tiroteio... os tiros parecem vir subindo pela rua principal da favela. Aí, os convivas escutam o revide, o som que agora vinha do outro lado, bem de cima no morro. O anfitrião pede que todos se deitem no chão, que Deus vai fazer passar. E faz mesmo, meia hora depois. Todos se levantam calmamente, ligam a música mais baixinha e continuam brindando, acostumados com aquele tipo de intervenção. Mas aquele dia era diferente.

A polícia estava atrás de Ednaldo... e matou o menino, chefão de apenas 20 anos. No dia seguinte, primeiro dia do ano, todos estavam lá, vestidos de preto num calor de mais de 30 graus: Seu Ednan e a cumadre, Seu Alfredo, Ednaldo. Este último, dias depois, seria convocado a tomar o lugar do irmão, numa espécie de linha sucessória monárquica, pra que o comando do tráfico não fosse disputado a tiro pelos comandados de seu irmão. Negou o lugar, nunca tinha mexido com isso. Foi obrigado a aceitá-lo quando ameaçaram matar toda sua linhagem real, Seu Ednan e a cumadre.

E subiu pro posto mais alto do morro... lá, ficou sabendo que Ednei fôra caguetado por um dos moradores da comunidade, não se sabia quem. Determinou então que toda e qualquer desconfiança que recaísse sobre um morador ocasionaria a expulsão imediata deste de seus domínios. Dias depois, piorou a regra: quem não seguisse suas normas, seria expulso e/ou assassinado. Achou chique a expressão "e/ou". Aos poucos, foi ficando pior que o irmão: determinou o toque de recolher em toda a Comunidade do Vento Levou; à partir das 22 horas, ninguém podia sair mais de casa. Depois, baixou o horário pra 19 horas. Famílias que tivessem mais de dois meninos homens deveriam dar um deles como aprendiz pro grupo.

Certo dia, quando a Marilice, menina nova que nascera e queria morrer lá, foi vista entrando numa delegacia da região (havia perdido o RG), Ednaldo desceu até sua casa, pra tomar satisfações. Não contente com a coisa toda que parecia caguetagem e interessado na possibilidade da satisfação sexual, estuprou a menina. Então, o tiro na cara dela, na frente dos pais. Deu um dia pra tirarem suas coisas e mudarem de lá. Marilice era bonita e Ednaldo até pensou um dia em namorar com ela; tinha as coxas grandes e a pele macia que ele sentiu enquanto a violava. Atirou na cara pelo desgosto de ter precisado tomá-la à força; não queria a beleza dela nem no velório.

No dia seguinte, Seu Alfredo se dispôs a ajudar os vizinhos na mudança; nenhum outro morador ousou ir até lá, também jurados de despejo caso ajudassem os traidores. Dizia a eles que Ednaldo não era assim, que chamaria o afilhado pra igreja e o colocaria no caminho correto. Pedia desculpas por ele enquanto carregava a geladeira, a televisão e as coisas mais valiosas que poderiam ser tiradas naquele dia. Os pais de Marilice deixaram pra trás algumas roupas, o sofá pesado demais pra carregar, as plantas que compunham o pequeno jardim tão bem cuidado, suas histórias e a lembrança da filha. Algumas coisas no carreto foram respingadas pelas lágrimas que Seu Alfredo derramava quieto, pensando que nada daquilo fazia parte da história que ele havia traçado pra sua aposentadoria. Tinha imaginado os meninos trabalhando e chegando em sua casa pra pegar os filhos, que ele já tratava como netos. Ednaldo era formado em medicina e trabalhava no hospital público do centro, chefe dos cirurgiões. Ednei teria aberto um comércio por ali mesmo; e feliz que era com o sucesso do empreendimento que até já planejava abrir uma filial. Seu Alfredo cuidaria dos seus "netos", tomando a lição de casa, contando história, colocando a mesa pro café da tarde...

Chegou a notícia até Ednaldo: seu padrinho ajudara na mudança, desobedecera as regras, pisara na bola. Ficou em silêncio, os olhos vermelhos de raiva. Não falou nada no resto do dia. Emudeceu. Resolveu que não tomaria nenhuma atitude. Por que Alfredo teria feito aquilo? Ednaldo teria que quebrar suas próprias regras, abrir uma exceção por se tratar de uma pessoa querida. Não seria bem olhado pelos companheiros, daria uma brecha de fraqueza na imagem que criara. Engoliu a raiva a seco.

No dia seguinte, a polícia foi até o morro e bateu na casa de Seu Alfredo. Queria informações do homicídio. Seu Alfredo ofereceu café e disse que não sabia de nada. Nunca entregaria um de seus "filhos", nem sob tortura, nem com o coração apertado de desgosto. A viatura desceu o morro, acompanhada atentamente pelo binóculo de Ednaldo. Que, sem pensar duas vezes, desceu e deu 8 tiros em Seu Alfredo, cagueta do caralho, antes que ele falasse qualquer coisa.

Seu Ednan e a cumadre foram os próximos a se mudar dali. Não queriam mais notícias do filho. Semanas depois, Ednaldo instalou a sede do tráfico na casa de Seu Alfredo, que fica numa posição estratégica no morro; da janela, eles conseguem visualizar toda a rua principal. Hoje, ele se senta no assento macio da privada que o padrinho comprou, escreveu "Escritório" numa das portas de madeira maciça e mandou trocar os azulejos... não gostava dos desenhos azuis, nunca gostou...



Escrito por Gruli às 01h26
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   Pra comemorar...

O pessoal do Pavilhão 7, que esteve por lá entre 92 e 93, começou a espalhar a notícia: fariam uma churrascada pra reencontrar os irmãos de cela. Afinal, essa já era uma prática comum naquela época, por ocasião dos grandes feriados nacionais, que não são poucos. A Nézinha, mulher do Guimarães, sempre trazia uma pesada picanha na bolsa quando era dia de visita íntima. Colocavam no freezer da cozinha dos carcereiros pra esperar o feriadão. A Jennifer, que se apaixonou pelo Henriques quando ele já estava por lá, indicação de uma amiga, era a responsável sempre pelo carvão. O Hamilton, gente boa, namorado do Filé, cuidava do sal grosso. Aí rolava a sagrada vaquinha: catavam os trocados de todos e jogavam na mão do Castelão Carcereiro (sim, a função era parte do apelido) pra que ele trouxesse as cervejas só na hora de começar a festança; afinal, era sujeira ter bebida alcoólica dentro do presídio, né...

Bons tempos aqueles que eles queriam reviver... espalharam a notícia do churrasco de comemoração de 15 anos que não se viam. Fizeram um cartaz e mandaram rodar mais de 50 cópias no xerox de R$ 0,10 centavos. Espalharam nos pontos do bicho, nas associações de moradores dos bairros, nos butecos mais frequentados por ali... Mandaram até e-mail pra alguns que já haviam se adequado à coisa.

E foi grande a festa, viu... o Guimarães emprestou o sobrado, grande e com churrasqueira na laje lá de cima... e foi chegando gente. Foi lá que o Henriques e o Filé se reencontraram.

O Filé estava sozinho, viúvo... o Hamilton havia morrido em 99, complicações inexplicadas! Já o Henriques não era mais Henriques: era Rosano, travesti famoso em Ermelino Matarazzo, mais conhecido nas rodas de fofoca como Cotoco... havia sofrido um acidente em 97, quando teve um pedaço do pau arrancado pelo volante do carro! Nunca mais procurou mulher; dizem as más línguas que ele já havia matado uma família inteira por conta do apelido ofensivo.

Então cruzaram os olhares... e "Rosano" se apaixonou inexplicavelmente pelo Filé, ex-companheiro de cela! Trazia-lhe cerveja no meio da festa, passava com a bandeja de linguiça... tudo pra cruzar com ele e trocar duas palavras! No fim da festa, quando o Filé estava num papo animado sobre o último reforço do Timão com o Luano Piovano, estuprador loiro que usava lentes azuis, sentou-se junto deles pra escutar e ficou até o Luano levantar pra ir embora. Aí, Rosano viu-se sozinho com seu inédito grande amor... e se declarou. Disse que era amor; e o Filé em silêncio. Aí, silêncio dos dois... só quebrado quando o Filé insinuou que não amaria mais ninguém depois do Hamilton.

Rosano fez que entendeu e foi pra casa. Não conseguia mais dormir, tomou remédios, ligou a televisão, até pegou livro pra ler. E não aguentou: ligou pra Filé, a cobrar, do orelhão, porque não tinha a grana pro cartão. Filé não aceitou a ligação, nunca aceitava ligações a cobrar, era sua política. "Rosano", ex-Henriques, tentou de novo e a mesma negativa... mais uma vez, mais outra... e se sentiu rejeitado, negado... pensou consigo que o Filé sabia quem estava ligando e não queria atendê-lo, que não queria nem dar uma chance deles conversarem direitinho e ele poder explicar seus planos de como eles seriam felizes juntos. Henriques, depois do acidente, cultiva uma alergia à rejeição. Entra fácil em depressão e fica violento.

Entrou em casa pra pegar o casaco que fizera com o couro de alguns gatos que matara envenenados ali na vizinhança; todo mal costurado, mas bem quente pra madrugada! E saiu bufando, Ginsu 2000 na cintura, mal intencionado. Além do ônibus, andou mais uns 8 quarteirões até a casa do Filé. Lá, na porta, nem quis bater: tirou o "cotoco" pra fora e mijou na porta da casa. Quando o cachorro latiu, Filé desceu pra ver o que era. Abriu a porta e tomou mais de 25 facadas do Henriques, agora "Rosano"...

No enterro dele, a Nezinha rezou o Pai Nosso no lugar do Guimarães, que estava chorando demais pra fazê-lo. Apareceu até o Castelão Carcereiro pra dar o seu adeus, convidado depois pelo Luano Piovano pra tomar uma no buteco ao lado do cemitério, em homenagem ao amigo morto.

E o Henriques foi mandado pro interior, pra um de segurança máxima desses novos, dos federais. Mudou definitivamente pra Rosana e hoje usa seus horários de visita íntima com os próprios colegas presidiários. E encontra em cada um deles um grande amor, inédito e efusivo, capaz ainda de lhe provocar os instintos mais violentos... aí, pede pra apanhar e goza rapidinho.



Escrito por Gruli às 02h29
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   A flor...

Foi naquele dia que ele colheu a rosa e saiu de casa.

Pensou em colocá-la na lixeira do andar, que bem merecia se colorir de seu perfume. Mas não o fez. Os vizinhos não entenderiam seu protesto.

Passou pelo porteiro e achou por bem se calar e não lhe oferecer o presente, pra que não ficasse parecendo uma cantada.

Debaixo do viaduto, o cheiro dos bueiros e dos homens fez com que ele andasse pela rua. Tentou deixar na sarjeta, mas se assustou com o rato saindo do cobertor do velho.

Passou pela moça bonita e não se motivou a embelezá-la ainda mais. Porque a mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza, qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora, qualquer coisa que sente saudade.

Molhado com os primeiros pingos de chuva, quis esperar a enxurrada para lançar a rosa. Mas era só uma garoa rala daquelas que te deixam preguiçoso e não te molham com competência.

Pensou em jogá-la do viaduto, mas tantas pessoas já haviam pulado dali que ele precisaria de um buquê pra homenageá-las...

Pensou no presídio, mas era longe. Pensou no cemitério, mas era noite. Pensou na igreja, mas era ateu. Pensou até na padaria, mas aquela não era 24 horas.

Voltou pra casa e enfiou com força seu caule na terra pouca do vaso. No dia seguinte, algumas pétalas cairam e pra semana nem o caule aguentou.

As rosas não podem ser replantadas...



Escrito por Gruli às 02h15
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BRASIL, Sudeste, Homem, de 26 a 35 anos

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